Quando um cliente nos mostra dois aparelhos e pergunta qual é o mais económico, quase sempre está a olhar só para a letra grande do rótulo. Só que a classe energética do ar condicionado conta metade da história. Os números que interessam mesmo são o SEER e o SCOP, e é com eles que se compara equipamento a sério.
Classe energética do ar condicionado: o que a letra realmente diz
O rótulo energético europeu usa uma escala de cores, do verde ao vermelho, com letras de A a G. O A é o topo, o G é o fundo. A ideia é simples: quanto mais perto do A, menos eletricidade o aparelho gasta para o mesmo trabalho.
O problema é que a categoria dos aparelhos de ar condicionado ainda não foi reescalada como aconteceu com os frigoríficos e as máquinas de lavar. Por isso continua a ver símbolos com um, dois ou três sinais de mais a seguir ao A. Esse formato é, na prática, uma escala legada. Ninguém o vai proibir amanhã, mas convém não decidir só pela letra: dois modelos com a mesma classe podem ter desempenhos diferentes conforme o clima e o uso.
Antes sequer de comparar classes, vale a pena acertar a potência para a divisão. De nada serve a melhor letra num aparelho grande demais ou pequeno demais. Temos um guia dedicado a isso em quantos BTU preciso.
SEER e SCOP: os dois números que contam
Aqui está o coração do rótulo. Um ar condicionado moderno faz as duas coisas, arrefece no verão e aquece no inverno, e cada função tem o seu indicador.
- SEER (Seasonal Energy Efficiency Ratio) mede a eficiência a arrefecer ao longo de toda a estação quente.
- SCOP (Seasonal Coefficient of Performance) mede a eficiência a aquecer ao longo da estação fria.
A palavra importante em ambos é “seasonal”, sazonal. Não é a eficiência num instante ideal de laboratório, é uma média que tenta refletir a estação inteira, com o aparelho a arrancar, a parar e a trabalhar a meio-gás. Por isso é bastante mais honesto do que os valores antigos.
Quanto mais altos o SEER e o SCOP, melhor. Um aparelho com SEER alto arrefece muito com pouca eletricidade; um com SCOP alto aquece de forma económica mesmo quando lá fora está frio.
Na costa Oeste isto tem uma consequência prática que muita gente não pensa. Em Caldas da Rainha, Óbidos ou Torres Vedras o inverno é húmido e pica, e cada vez mais casas usam o ar condicionado como aquecimento principal. Se é o seu caso, o SCOP pesa tanto ou mais do que o SEER. Não olhe só para o verão.
Como comparar dois modelos sem se enganar
A forma mais simples é pôr os números lado a lado e ignorar o marketing. Veja um exemplo do tipo de comparação que fazemos com os clientes:
| O que olhar | Modelo A | Modelo B |
|---|---|---|
| Classe a arrefecer | A+++ | A++ |
| Classe a aquecer | A++ | A+++ |
| SEER (arrefecer) | mais alto | intermédio |
| SCOP (aquecer) | intermédio | mais alto |
Repare no que acontece: o Modelo A é melhor a arrefecer e o Modelo B é melhor a aquecer. Se olhasse só para a primeira linha do rótulo, escolhia o A sem pensar. Mas se usa a casa sobretudo no inverno, o B pode ser a escolha mais acertada. É exatamente por isto que a letra sozinha engana.
Um aviso de quem faz estas instalações há anos junto ao mar: os valores do rótulo são obtidos em condições controladas. Na realidade da Nazaré, de Peniche ou da Foz do Arelho, a unidade exterior apanha maresia todos os dias. Sal e humidade corroem alhetas e componentes, e uma unidade descuidada afasta-se dos números anunciados. Escolher equipamento preparado para ambiente marítimo e manter a manutenção protege a eficiência que pagou. Falamos disso em detalhe no guia de ar condicionado junto ao mar.
Se além de arrefecer e aquecer o ambiente também está a pensar na água quente da casa, note que a mesma lógica de eficiência se aplica às bombas de calor para água quente, que substituem o velho esquentador com muito menos gasto.
Um erro comum: comparar só a etiqueta da montra
Muita gente compara o autocolante colado na montra de duas lojas diferentes e acha que está a comparar equipamentos. Não está. Modelos da mesma gama têm versões com potências diferentes, e a classe pode mudar entre elas. Peça sempre a ficha técnica com o SEER e o SCOP do modelo exato, com a potência exata, por escrito.
E lembre-se da ordem certa das decisões: primeiro a potência para a divisão, depois a classe energética, depois a instalação bem feita. Um aparelho de topo mal instalado ou mal dimensionado gasta mais do que um aparelho modesto instalado com cuidado. Pode ver como trabalhamos em instalação de ar condicionado e explorar os restantes guias quando quiser aprofundar.
Quer ajuda a escolher?
Ler o rótulo é meio caminho; o outro meio é encaixar o equipamento certo na sua casa, no seu clima e no seu tipo de uso. Se nos disser as divisões, se usa mais no verão ou no inverno e se está perto do mar, dizemos-lhe qual a classe e os valores de SEER e SCOP que fazem sentido para si. Peça a sua estimativa em /estimate/ e tratamos do resto.