A manutenção de ar condicionado não é um extra opcional: como qualquer equipamento com um compressor, filtros e um circuito de gás, o aparelho precisa de atenção regular para trabalhar bem e durar. E aqui na costa Oeste, entre Caldas da Rainha, Óbidos e a Nazaré, há um fator que muita gente ignora: o sal no ar. Neste guia explico com que frequência se faz, o que uma visita técnica inclui de verdade e o que pode fazer sozinho entre visitas.
O que pode fazer em casa: os filtros
A parte mais simples da manutenção é também a mais importante no dia a dia, e não precisa de técnico. Os filtros da unidade interior, aquela que fica na parede, enchem-se de pó e retêm partículas. Quando ficam entupidos, o aparelho tem de forçar para puxar o ar, gasta mais energia e arrefece pior.
A cada quatro a seis semanas, durante a época em que usa o equipamento, abra a tampa frontal, retire os filtros, lave-os com água morna e um pouco de detergente suave, e deixe secar por completo à sombra antes de voltar a colocar. Nunca monte um filtro húmido, porque a humidade dentro da unidade é terreno fértil para bolores e maus cheiros. Se souber quantos aparelhos tem e onde ficam, isto leva minutos. É o hábito que mais impacto tem na qualidade do ar que respira em casa.
A manutenção profissional do ar condicionado: a inspeção anual
Uma vez por ano, o ideal é uma visita técnica completa, de preferência na primavera, antes de puxar pelo equipamento no calor do verão. Esta inspeção vai bem além dos filtros e é aqui que se apanham os problemas antes de se tornarem avarias caras.
Numa visita fazemos, entre outras coisas:
| O que se faz | Porque importa |
|---|---|
| Limpeza do permutador interior e da turbina | Devolve capacidade de arrefecimento e reduz cheiros |
| Verificação de pressões do circuito | Indica se o gás está no nível certo ou se há fuga |
| Deteção de fugas de gás | Um sistema estanque não perde gás; se perde, há problema |
| Limpeza e desobstrução do dreno de condensados | Evita infiltrações e gotejamentos na parede |
| Inspeção da unidade exterior | Onde a maresia faz mais estragos na nossa zona |
| Teste elétrico e de funcionamento | Confirma consumos e o estado do compressor |
Se está a pensar dimensionar ou substituir um equipamento, vale a pena perceber primeiro a potência de que precisa; explico isso no guia de quantos BTU preciso.
Gás e fugas: a parte que gera confusão
Há uma ideia errada muito comum: a de que “o ar condicionado precisa de recarga de gás de vez em quando”. Não é assim. O circuito de refrigerante é fechado e estanque. Se estiver tudo bem, o gás não se gasta e nunca precisa de reposição.
Quando um aparelho arrefece menos e se descobre que o gás está baixo, isso significa uma coisa: há uma fuga algures. A resposta correta não é despejar gás novo lá para dentro, é localizar a fuga, repará-la e só depois recarregar. Recarregar sem reparar é dinheiro deitado fora e, além disso, libertar refrigerante para a atmosfera é uma má prática ambiental. Por isso, na inspeção anual, verificamos pressões e procuramos fugas em vez de recarregar por rotina.
O fator costa: a maresia e o enxaguamento
Este é o ponto que distingue uma manutenção genérica de uma manutenção feita por quem trabalha à beira-mar. Em Peniche, na Lourinhã, em São Martinho do Porto ou na Foz do Arelho, o ar traz sal. Esse sal deposita-se nas alhetas de alumínio da unidade exterior e no permutador, e o alumínio com sal e humidade corrói-se depressa. Já abri unidades exteriores a poucos quilómetros da praia com as alhetas comidas ao fim de poucos anos, quando deviam durar muito mais.
A defesa é simples e barata: enxaguar a unidade exterior com água doce, com regularidade, para arrastar o sal antes que se instale. Não é jato de alta pressão, que dobra as alhetas, é água corrente suave. Quem vive mesmo em cima do mar deve fazê-lo com mais frequência do que quem está uns quilómetros para o interior. Explico tudo isto em detalhe no guia sobre ar condicionado junto ao mar, que recomendo a qualquer pessoa com equipamento na zona costeira. Este cuidado aplica-se, aliás, a toda a gama que instalamos em ar condicionado, e também às bombas de calor para água quente, que têm igualmente uma unidade exterior exposta ao mesmo ar salgado.
Um contrato de manutenção poupa dores de cabeça
Juntando tudo: filtros limpos por si a cada mês e pouco, uma inspeção profissional por ano e enxaguamentos de água doce contra a maresia. Feito assim, o equipamento mantém a eficiência, gasta menos e dura muitos mais anos. Deixado ao abandono, perde rendimento e acaba em avarias que custam bem mais do que a prevenção.
Um contrato de manutenção de ar condicionado resolve isto sem ter de andar a marcar visitas ano após ano: agendamos nós, na altura certa, e o seu equipamento fica sempre a postos para o verão. Quer um contrato regular, quer apenas uma visita pontual para pôr tudo em ordem, peça-nos um orçamento e dizemos o que faz sentido para os seus aparelhos e para a distância a que está do mar.