Nem toda a gente precisa de uma bomba de calor para ter água quente em casa. Há situações em que o velho termoacumulador elétrico, aquele depósito simples com resistência, continua a ser a escolha mais sensata. Neste guia explico, com base nas casas que instalamos na costa Oeste, quando é que ainda faz sentido e quando é altura de mudar.
O que faz um termoacumulador elétrico e onde está o limite
Um termoacumulador é um depósito isolado com uma resistência elétrica lá dentro. Aquece a água, guarda-a quente e vai repondo o calor à medida que arrefece. É fiável, é silencioso e não tem unidade exterior nenhuma. A instalação é das mais simples que há: entrada de água, saída, corrente elétrica e pouco mais.
O limite está no rendimento. A resistência trabalha um para um, ou seja, cada unidade de eletricidade que entra transforma-se numa unidade de calor. Uma bomba de calor, pelo contrário, tira calor do ar e multiplica esse valor várias vezes graças ao COP. É por isso que, em consumos altos, a bomba de calor ganha sempre na fatura. Explicamos essa lógica com mais detalhe na página das bombas de calor para água quente.
Mas rendimento não é tudo. Um equipamento mais eficiente que passa metade do tempo a aquecer água para ninguém não poupa nada. É aí que o termoacumulador simples volta a fazer sentido.
Quando o termoacumulador elétrico ainda é a escolha certa
Há um perfil de casa muito claro onde eu próprio recomendo ficar pelo termoacumulador. Estes são os casos que aparecem mais na zona de Óbidos, Nazaré e São Martinho do Porto, muitos deles casas de férias.
- Casas de uma ou duas pessoas com uso baixo. Um casal que toma um duche por dia não gasta água quente suficiente para que a bomba de calor compense o investimento maior.
- Casas de fim de semana e segundas habitações. Muito comuns em Foz do Arelho, na Lourinhã e junto às praias de Peniche. Estão vazias durante a semana, por isso o que interessa é ligar, ter água quente depressa e desligar.
- Espaço apertado. Uma bomba de calor precisa de volume de ar à volta e de um local ventilado. Numa casa antiga do centro de Caldas da Rainha, com uma casa de banho pequena e sem varanda técnica, às vezes simplesmente não há onde a pôr.
- Substituição rápida de um depósito avariado. Quando o equipamento antigo morre a meio do inverno, trocar por outro termoacumulador é rápido e resolve o problema no mesmo dia.
Nestas situações, gastar mais para instalar um sistema que vai trabalhar pouco não devolve o dinheiro. Se quiser perceber os valores relativos sem compromisso, veja a nossa página de preços e depois peça a avaliação.
Termoacumulador ou bomba de calor: comparação rápida
Para simplificar a decisão, esta tabela resume o que costumo dizer aos clientes à porta de casa.
| Fator | Termoacumulador elétrico | Bomba de calor de água quente |
|---|---|---|
| Consumo de eletricidade | Um para um, sem multiplicar | Muito mais eficiente graças ao COP |
| Melhor para | Uso baixo, casais, casas de férias | Uso diário e famílias |
| Espaço necessário | Pouco, fica dentro de casa | Precisa de local ventilado |
| Unidade exterior | Não tem | Normalmente sim |
| Ruído | Praticamente nulo | Ligeiro, do compressor |
Se se reconhece mais na coluna da direita, o passo lógico é mudar. Escrevemos um guia dedicado a trocar o esquentador por bomba de calor que também se aplica a quem vem de um termoacumulador elétrico.
A questão do mar: humidade e maresia na costa Oeste
Aqui há um ponto a favor do termoacumulador que muita gente não pensa. Como fica dentro de casa e não tem unidade exterior, o ar salgado não lhe chega. Numa casa a poucos metros da praia, em Peniche ou na Nazaré, a maresia é impiedosa com tudo o que está lá fora. Uma bomba de calor de água quente com o evaporador exposto ao salitre precisa de cuidados e de lavagens, tal como o ar condicionado. Falamos disso no guia sobre ar condicionado junto ao mar.
O termoacumulador não escapa a tudo, atenção. A água da rede na região é dura e, com o tempo, o calcário ataca a resistência e o ânodo de sacrifício. Por isso insisto sempre no mesmo: trocar o ânodo de vez em quando e ligar o depósito em horas de vazio, com temporizador, para poupar sem abdicar de água quente logo de manhã. Com bom isolamento, a água aquecida de noite chega folgada ao duche da manhã seguinte.
O que fazer a seguir
Resumindo: se a casa é pequena, o uso é baixo ou é uma segunda habitação, o termoacumulador elétrico ainda é uma boa decisão e não vale a pena complicar. Se são vários banhos por dia e a casa é habitada o ano inteiro, a bomba de calor paga-se e nota-se na fatura.
Na dúvida, não adivinhe. Diga-nos quantas pessoas usam a casa, com que frequência e que espaço tem disponível, e dizemos-lhe qual a solução certa para o seu caso, sem empurrar equipamento a mais. Peça a sua avaliação gratuita aqui e tratamos do resto.