Ter ar condicionado no litoral com maresia, como em Peniche, na Nazaré ou em São Martinho do Porto, significa lidar com aquilo que o mar cobra em tudo o que fica de fora: os portões ganham ferrugem, as dobradiças rangem e o aparelho não é exceção. A maresia, esse ar carregado de sal, é o maior inimigo da unidade exterior. Neste artigo explico o que acontece por dentro do aparelho e o que fazemos, na prática, para que ele dure na costa do Oeste.
O que a maresia faz ao aparelho
O ar condicionado tira e põe calor através de uma serpentina de aletas finíssimas, quase sempre em alumínio com tubos de cobre. Essas aletas são o ponto fraco junto ao mar. O sal que anda no ar deposita-se nelas, atrai humidade e começa a corroer o metal. Primeiro aparece aquele pó branco, depois as aletas ficam quebradiças e começam a desfazer-se ao toque.
Quando a serpentina se degrada, o aparelho perde eficiência: troca menos calor, o compressor trabalha mais tempo para o mesmo resultado e gasta mais. Numa casa em segunda linha, isto pode levar anos a notar-se. Na primeira linha de Foz do Arelho ou da Nazaré, com vento de oeste a bater em cheio, o processo é bem mais rápido. Por isso, escolher e instalar a pensar na maresia não é luxo, é o que faz a diferença entre um equipamento que dura e um que fica a pedir substituição cedo demais.
Serpentinas revestidas: a primeira defesa
A defesa mais importante é a própria unidade. Existem modelos preparados para ambiente marinho, com a serpentina protegida de fábrica por um revestimento que isola o alumínio e o cobre do sal. Há também tratamentos que se aplicam a serpentinas depois, uma espécie de película protetora. Nenhum torna o aparelho eterno, mas ambos atrasam muito a corrosão.
Vale a pena olhar para três pontos ao escolher a máquina:
| Elemento | O que procurar junto ao mar |
|---|---|
| Serpentina | Revestimento anti-corrosão de fábrica ou tratamento aplicado |
| Chassis e parafusos | Material resistente, de preferência inox nas fixações |
| Placa eletrónica | Bem vedada e protegida da humidade |
Não é só a serpentina que sofre. Os parafusos, os suportes de parede e a caixa eletrónica também apanham sal. Uma fixação em inox e uma boa vedação da parte elétrica evitam surpresas lá mais para a frente. Se ainda está na fase de decidir potência e modelo, o guia quantos BTU preciso ajuda a não errar no dimensionamento, e no guia do ar condicionado junto ao mar entramos em mais detalhe sobre equipamentos para ambiente salino.
Onde põe a unidade exterior conta muito
O sítio onde a unidade exterior fica montada pesa tanto como o modelo. Na costa do Oeste o vento salgado dominante vem de noroeste, e uma unidade exposta a esse vento apanha muito mais sal do que uma abrigada. Sempre que dá, colocamos a unidade numa empena virada a nascente ou a sul, debaixo de um alpendre, ou numa zona resguardada do borrifo direto.
O que evitamos: a varanda que dá de frente para o mar aberto, os telhados onde bate o vento sem nada a travar, e os cantos onde a água da chuva se acumula. Convém também deixar espaço à volta da unidade para o ar circular e para se poder lavar com jeito. Nas casas de São Martinho do Porto, protegidas pela baía, há muitas vezes uma fachada mais abrigada. Em Peniche, virado ao Atlântico sem defesa, é preciso procurar melhor o sítio certo. Cada casa é um caso, e é isso que vemos quando lá vamos.
Manutenção do ar condicionado no litoral com maresia
A rotina mais simples e mais eficaz contra a maresia é lavar a unidade exterior com água doce. É só passar a mangueira, com o aparelho desligado, para arrastar o sal das aletas antes que ele se agarre. Sem máquina de pressão, que dobra as aletas finas. Uma passagem suave chega.
Na primeira linha de mar, de mês a mês no verão e sempre depois de um temporal de oeste. Mais para o interior, em Caldas da Rainha ou Óbidos, algumas vezes por ano chega. A isto juntamos a manutenção anual normal: limpeza dos filtros interiores, verificação do gás e da drenagem, e uma inspeção à serpentina para apanhar a corrosão cedo. Este mesmo cuidado vale para as bombas de calor de água quente, que também têm unidade exterior e sofrem o mesmo sal. Quem faz esta rotina ganha anos de vida ao equipamento sem grande esforço.
Pronto para instalar a pensar no mar
Um ar condicionado no litoral bem escolhido, bem colocado e lavado com regularidade aguenta-se muito bem na costa do Oeste, mesmo em primeira linha, apesar da maresia. O segredo está em pensar no sal desde o início e não depois de a serpentina já estar a desfazer-se. Se tem uma casa em Peniche, na Nazaré, em São Martinho do Porto ou em qualquer ponto do litoral do Oeste, veja como trabalhamos a instalação de ar condicionado e peça-nos um orçamento em /estimate/. Dizemos-lhe o que faz sentido para a sua fachada e para a distância a que fica do mar.